Voluntários do Plantão Psicológico

Oito anos de trabalho com a comunidade, 13 profissionais voluntários e cerca de 150 atendimentos por ano. Estes são os bons frutos do Plantão Psicológico, que acontece no Movimento Comunitário Estrela Nova.

Desde 2009, as manhãs de sábado têm sido reservadas por adultos e crianças dos Jardins Elizabete, Helga e Paris, no Campo Limpo. Todos sabem que neste dia pelo menos três psicólogos estão a postos para acolhê-los no espaço do Centro de Educação Infantil da entidade. 

Tessy Hantzschel, Manucha Guimarães, Silvia Martinelli, Cristina Carvalho, Caio Vitor Ferreira, Helena Rizzi, Isabora Florence, Lucas Antonini, Nathalia Loiola, Kim Anker, Silvia Hasse e Lívia Albano são os psicólogos voluntários que, atualmente, compõem a equipe do Plantão.

Eles se revezam a cada sábado para atender as demandas da comunidade. Em geral, são questões emocionais, desenvolvimento escolar, relacionamentos e experiências difíceis, como explica Lucas Antonini, 34 anos, um dos fundadores da iniciativa. “Existem casos pontuais que são muito bem acolhidos pelo plantão e outros que necessitam de acompanhamento em longo prazo. Nesse caso, tentamos encaminhar para outros órgãos públicos ou privados da melhor maneira possível”. 

Lucas, Tessy Hantzschel e Silvia Martinelli foram os responsáveis por iniciar o Plantão Psicológico no Estrela Nova. Lucas – que na época concluía sua formação universitária – já fazia trabalhos voluntários na creche, quando lançou a ideia do plantão para impactar ainda mais a comunidade. “A gente precisou desenvolver um grupo maior, então convidamos pessoas que toparam fazer e que foi mudando ao longo dos oito anos, mas conseguindo se sustentar”, lembra o voluntário.

No último sábado de cada mês, os psicólogos se reúnem para uma supervisão. Segundo Cristina Carvalho, 69 anos, integrante da equipe, essas reuniões são importantes para alinhar o trabalho, além de proporcionar uma troca muito rica. “Temos os veteranos e o pessoal jovem, que é um sangue novo. Entre nós, o trabalho é horizontal, o que torna essa mistura de vivências muito interessante”, avalia Tina, como é conhecida.

Psicóloga há 44 anos, Tina sentiu a necessidade de se aproximar de uma comunidade para oferecer seus conhecimentos clínicos, ampliando o acesso que teria apenas em seu consultório particular. “Tessy me chamou desde o início para o plantão, com a proposta de estar aqui para atender quem viesse, de modo que a comunidade ocupasse esse espaço. E foi muito surpreendente a procura. Tem gente que vem uma vez, tem gente que vem durante um ano inteiro. É muito variado”, esclarece. 

Juliana Karoline Ferreira, 26 anos, frequenta o plantão há pelo menos cinco anos. Nesse espaço, ela trabalha a autoestima, esclarece pensamentos e entende as situações da vida. Segundo ela, seria inviável manter um atendimento desses em clínica particular.  “É no plantão que eu me encontro! Existem questões que eu só consigo compreender aqui, então eu sempre vou passando”, afirma a jovem. 

Para garantir o sucesso dos atendimentos, há também uma pessoa responsável pelo agendamento dos pacientes, pelo contato com os psicólogos e pela organização das fichas e do espaço: Antonietta Otaviano. A auxiliar de enfermagem do CEI Estrela Nova abraçou a causa do plantão e, desde o início, também atua como voluntária aos sábados. 

No entanto, 2017 foi seu último ano de trabalho. Aposentada, agora Antonietta almeja novos rumos fora da instituição. “Foi gratificante ficar aqui todos esses anos. O plantão é uma coisa maravilhosa para a comunidade. As pessoas agradecem e a gente vê o quanto elas precisam”, reconhece a voluntária. 

O Plantão Psicológico é motivo de orgulho para o Estrela Nova. Ganhou visibilidade, se tornou referência, é indicado por escolas, igrejas, instituições e outros profissionais da região. Por isso, a instituição agradece a todos os voluntários que já contribuíram e aos que ainda contribuem com essa iniciativa. E deseja que este importante trabalho permaneça, em prol da transformação da comunidade.